domingo, 24 de julho de 2011

Geleiras: Estudo sobre os Rondós de Silva Alvarenga

Geleiras: Estudo sobre os Rondós de Silva Alvarenga: "Espero que isso ajude um pouco... Vendo agora, eu falei mais sobre o rondó de Silva Alvarenga, vou estudar mais as “outras formas dessa for..."

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Não seria como antes


Não seria como antes

A desculpa
O buraco na parede
Seu gesto de mão
O bom dia
Um pedido de socorro
Esqueci-me do café à mesa
E trocamos mútuas fatias
De pão e melancia
O vizinho cismado
Não seria como antes.

Choro em blues

Iguais e monótonos
São os quadros azuis
Ao longo desse corredor
Pó de cantos nunca espanados
Passo eu e minha bagagem
Em direção ao sujo das ruas
O homem à esquina já chora
Seus acordes em blues
Incomoda-me
O não ser essencial azul.

Ao Sol quintal dos vivos?


Do novo livro de poemas – Penas de Pardal – Amália Grimaldi

À porta de saída

Eu sou. Tu és
Perecível ele é
O que amadurecemos
Ao Sol quintal dos vivos?
Contagem regressiva
Duração do que nos resta
Iludir-se com o final do mundo
O síndico do prédio
Ao lado foi assassinado
Na última terça-feira
Esbarrado de seus motivos
À porta de saída
O alívio do próximo.

Ameaça real
Decidi fazer o mesmo
Os dias da monarquia
Estão contados. Atenção
Ameaça real em Tel-Aviv
Vegetais dormem
Sob tendas de nylon
Ao deserto estéril da paz
Cobrem cabeças o véu
Permissivo Califa
Dançarei em Andaluzia
A complacência do mundo
À terra do outro
Paraíso de vida nômade
Onde becos tem saída
E as distâncias são curtas
Em desvios de atenção
Ameaça real.

domingo, 10 de julho de 2011

Stella Florence: Uma carta de desamor

Stella Florence: Uma carta de desamor: "(Obs.: Este texto faz parte do livro 'Os Indecentes - crônicas sobre amor e sexo') Há algum tempo, condoída pelo fora que uma amiga levara..."

sábado, 2 de julho de 2011

Transpor a Arrábida


Pés na terra
Descer à Península de Tróia
A alma do planeta
O corpo fala
Repicam os sinos
Os muares e seus fardos
Rota para o sul
Transpor a Arrábida
E suas pedras roladas
São tantas delas
Mas nas minhas mãos
Só cabem quatro delas.

Amália Grimaldi

Tarde lisboeta

Morrem as sombras da tarde
Lânguia luz aceno ao descanso
A parede sinto-a ainda morna
Suas cores de pêssego maduro
Ao voo raso faz seu reconhecimento
A ave. Outras mais estarão
À procura de pouso seguro
Ao acalanto da noite descente
Escombros do que era belo
Ainda conservam-se dignos
A casa das aves desgarradas
Em meio a avenida barulhenta
Onde torres de antigamente
Abrigavam seus fidalgos soberbos
Ao regresso de além-mar
Morrem as sombras dessa tarde
À luz do que era antes
Tardes atrazadas à espera
De acenos por acalentar-se
À luz do que era antes.

Amália Grimaldi

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Despertar tardio




Todos sonham. Crueldades
Eu durmo no sonho
De múltiplas palavras ouvidas
Aguadas plenas. Cheias
Sapos verdes
Cochicham entre si
Parábolas de intrigas
Eu durmo no sonho.Crueldades
O despertar tardio
Demente pensar desmaiado
Acho que perdi a fotografia
do último verão dourado.